A Avenida Paulista — vitrine cultural, turística e simbólica de São Paulo — entrou oficialmente no centro de uma nova disputa sobre o uso do espaço público: a liberação para megashows. Nesta terça-feira (24), a Prefeitura anunciou a assinatura de um aditamento ao Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público (MP), ampliando a possibilidade de eventos de grande porte na via. A mudança, porém, ainda depende de homologação do Conselho Superior do MP para valer plenamente.
A seguir, você entende o que foi liberado, quantos shows cabem no calendário, quais regras novas entram em cena (segurança, trânsito, metrô, hospitais, ruído) e por que o tema divide opiniões — especialmente entre moradores e quem trabalha na região.
O que estava valendo até agora: a “trava” do TAC e só três megaeventos
Desde 2007, o uso da Paulista para eventos de grande porte vinha amarrado por um TAC que, na prática, limitava a avenida a três grandes datas no ano: Réveillon, Corrida de São Silvestre e Parada do Orgulho LGBT+. A própria Subprefeitura Sé reforçava que, por esse regramento, não era concedida autorização para outros megaeventos na Paulista.
Esse cenário criou um “teto” jurídico para shows massivos — mesmo com a Paulista já consolidada como palco de grandes concentrações e eventos simbólicos.
O que a Prefeitura e o MP acordaram agora: mais datas e liberação gradual
O anúncio oficial da Prefeitura aponta que o aditamento ao TAC abre espaço para um megaevento já no segundo semestre de 2026 e outros dois a partir de 2027, ampliando o calendário de grandes eventos na avenida.
Na leitura do MP e da cobertura jornalística, a lógica é de implantação escalonada:
- 2026 (ano de transição): além dos eventos tradicionais (Parada + “fim de ano”), apenas 1 show gratuito extra.
- A partir de 2027: até 2 shows gratuitos por ano, um em cada semestre, mantendo os tradicionais no calendário.
Em algumas reportagens, o novo arranjo é descrito como aumento do limite anual de 3 para 4 grandes eventos — com a Prefeitura argumentando que São Silvestre e Réveillon acontecem no mesmo dia, o que ajudaria a reorganizar a contagem do calendário.
Ponto-chave: mesmo com a assinatura, o acordo ainda depende de homologação do Conselho Superior do Ministério Público.
As novas regras para megashows na Paulista: gratuidade, segurança e “plano de cidade”
A liberação não vem “solta”. O novo TAC cria um pacote de exigências operacionais — e a palavra que se repete é controle.
1) Show tem que ser gratuito
Uma das condições destacadas é que os megashows devem ter acesso livre e gratuito como contrapartida cultural pelo uso do espaço público.
2) Segurança reforçada e controle de acesso
Entre os requisitos citados estão medidas como bloqueios físicos, controle de fluxo, revistas e restrição de objetos perigosos, além de definição de contingente de segurança.
3) Metrô pode ter operação especial (e até fechamento pontual)
O TAC prevê monitoramento nas estações e, se necessário, fechamento de estações de metrô para gestão de público e segurança.
4) Trânsito, evacuação e hospitais: a cidade precisa “funcionar”
A operação precisa incluir plano de evacuação, plano de contingência intersetorial, divulgação prévia de alterações no trânsito e manutenção do acesso aos hospitais da região.
Há ainda a exigência de atendimento médico e banheiros compatíveis com o público esperado.
5) Ruído e impacto urbano: mitigação obrigatória
O acordo menciona medidas para reduzir impacto sonoro (sem necessariamente fixar um número único de decibéis nas matérias que detalham o texto).
Fiscalização mais dura: relatório pós-evento, poder de suspensão e multa
O novo modelo cria uma espécie de “pós-operatório” obrigatório: após cada show gratuito, a Prefeitura deve enviar ao MP um relatório detalhado em até 30 dias, com impactos, incidentes, medidas de mitigação e efeitos na região (incluindo serviços essenciais, como hospitais).
E tem gatilho de freio: o MP poderá suspender unilateralmente novas autorizações se identificar impactos relevantes (mobilidade, segurança, serviços essenciais) ou se o relatório não for entregue como exigido.
Em reportagem que descreve o texto, aparece também multa de R$ 100 mil por obrigação violada.
Por que a Paulista virou o “palco desejado” — e por que isso divide a cidade
Para a gestão municipal, o argumento é que a ampliação fortalece a vocação cultural da principal avenida e pode impulsionar o calendário de eventos com apoio de patrocinadores.
Do outro lado, surgem críticas sobre impacto sonoro, consulta a moradores e exigências urbanísticas. A VEJA SÃO PAULO registra reclamações de moradores de que não foram ouvidos e a cobrança por estudos e transparência sobre impactos de vizinhança.
Na prática, a discussão deixa de ser apenas “pode ou não pode” e vira “como fazer sem travar a cidade”: metrô, corredores de emergência, acesso a hospitais, dispersão do público e ruído entram como pontos sensíveis.
Como funciona a autorização de eventos (e por que a Paulista é um caso especial)
Mesmo com a mudança do TAC, eventos precisam cumprir regras municipais. A Subprefeitura Sé explica que o TAC regula os grandes eventos na Paulista e lembra que o Decreto 49.969/2008 trata de alvará de autorização para eventos públicos e temporários (com mais de 250 pessoas).
Ela também detalha que, nos distritos da região, eventos devem ser solicitados previamente e que, no caso da Paulista (quando valia a trava), a autorização estava restrita ao que o TAC permitia.
O que esperar agora: calendário, anúncio de atração e operação de rua
Com o aditamento assinado e aguardando homologação, o próximo passo tende a ser:
- Confirmação jurídica (homologação pelo Conselho Superior do MP)
- Definição da data do show de 2026 (segundo semestre)
- Divulgação do plano operacional: trânsito, metrô, segurança, postos médicos, banheiros, rotas de emergência e comunicação ao público
Sobre artistas, há apenas nomes “cotados” na imprensa — não confirmação oficial de atração até aqui.




















