Paulo Roberto do Nascimento – Baluarte do Carnaval Paulistano – A trajetória de um sambista que ajudou a escrever a história de Itaquera

Com mais de três décadas de dedicação ao samba, Paulo Roberto do Nascimento é um dos nomes mais respeitados do carnaval paulistano. Baluarte do Carnaval de São Paulo, sua história se confunde com a própria evolução das escolas de samba da Zona Leste, especialmente em Itaquera. Da vivência como componente aos cargos de liderança, sua atuação foi determinante para conquistas, acessos e para a formação de novas gerações de sambistas.

Nesta entrevista especial, Paulo Roberto ou Paulão da Leandro, revisita memórias marcantes de sua longa passagem pelo G.R.C.E.S. Leandro de Itaquera, onde construiu uma relação profunda com a comunidade vermelho e branca e alcançou resultados históricos na Harmonia. Atualmente, integra o corpo técnico do G.R.C.E.S. Dom Bosco de Itaquera, levando sua experiência da quadra à avenida e contribuindo para novos projetos e desafios.

Ao longo da conversa, o sambista fala sobre passado, presente e futuro do carnaval, analisa as transformações do desfile ao longo dos anos, destaca o papel social das escolas de bairro e deixa mensagens inspiradoras para quem mantém o samba vivo. Uma leitura essencial para quem quer entender a trajetória de um sambista que ajudou a escrever a história de Itaquera e do carnaval de São Paulo.

1️⃣ Abertura – Quem é Paulo Roberto do Nascimento

A Cidade de São Paulo: Para começar, gostaria que você se apresentasse e contasse um pouco da sua história no samba.

Paulo Roberto do Nascimento: Meu nome é Paulo Roberto do Nascimento e cheguei ao mundo do samba há cerca de 36 anos. Meu início foi no G.R.C.E.S. Leandro de Itaquera, escola que marcou profundamente a minha vida.

Ao longo dessa caminhada, tive passagens por outras entidades importantes, como a Tom Maior, uma breve experiência nos Gaviões da Fiel e, durante dois carnavais, estive na Unidos dos Morros, em Santos, onde fui campeão em um ano e vice-campeão no seguinte.

Também fiz parte do Departamento de Turismo da Liga do Samba e sou Baluarte do Carnaval de São Paulo, título que recebo com muito orgulho e responsabilidade.

2️⃣ A ligação com o Leandro de Itaquera

A Cidade de São Paulo: Em que momento nasceu essa ligação tão forte com o Leandro de Itaquera?

Paulo Roberto: Foi nos anos 1990, em uma visita à quadra da escola. A partir dali, virei vermelho e branco de corpo e alma. O Leandro não foi apenas uma escola para mim, foi e sempre será parte da minha história de vida.

3️⃣ A Direção de Harmonia e os desafios

A Cidade de São Paulo: Você assumiu a Direção Geral de Harmonia em 2012. Como foi esse processo?

Paulo Roberto: Quando assumi a direção, eu já era bastante conhecido dentro da escola. Passei por várias etapas: fui componente, depois harmonia, até chegar à direção.

Todos os desafios que enfrentei foram encarados com êxito, sempre com muito trabalho, respeito e compromisso com a escola.

A Cidade de São Paulo: Há desfiles que marcaram sua trajetória?

Paulo Roberto: Sem dúvida. O desfile de 1995 foi muito especial, quando minha esposa desfilou grávida da nossa filha, que hoje também é sambista.

Outro momento inesquecível foi em 2013, quando a escola, sob meu comando na Harmonia, ascendeu ao Grupo Especial, conquistando cinco notas máximas em Harmonia.

4️⃣ Relação com a comunidade e os componentes

A Cidade de São Paulo: Como era sua relação com os componentes e a comunidade?

Paulo Roberto: Sempre foi uma relação amistosa e de profundo respeito, como deve acontecer dentro de uma escola de samba. O sentimento que fica é de respeito e consideração por todos, independentemente do cargo ou função.

5️⃣ A saída da Harmonia e a transição

A Cidade de São Paulo: Como foi deixar a Direção de Harmonia?

Paulo Roberto: Mesmo depois de deixar a Harmonia, continuei atuando como Diretor de Alegorias. Precisei parar por um período por problemas físicos, mas foi muito difícil me afastar.

O Leandro fez e faz parte da minha vida. Ao mesmo tempo, acredito que devemos sempre abrir espaço para os mais novos, pois eles trazem novos conhecimentos e ajudam a renovar o carnaval.

6️⃣ O atual momento no Dom Bosco de Itaquera

A Cidade de São Paulo: Como surgiu sua ida para o Dom Bosco de Itaquera?

Paulo Roberto: Fui convidado pelo Márcio Telles, amigo de longa data. Atualmente, faço parte do Corpo Técnico do Desfile do G.R.C.E.S. Dom Bosco de Itaquera, junto a outros renomados diretores de várias agremiações.

Sou responsável pelo Setor 3 na Avenida.

A Cidade de São Paulo: Como está sendo essa experiência?

Paulo Roberto: Tem sido uma agradável surpresa, um ambiente muito profissional. Contribuo com minha longa experiência e com o conhecimento dos meandros do carnaval, tanto de quadra quanto de avenida.

A Cidade de São Paulo: Qual o grande objetivo?

Paulo Roberto: Fazer um grande carnaval e ascender ao Grupo Especial da Liga do Samba.

7️⃣ Vivência em outras escolas e aprendizados

A Cidade de São Paulo: O que essas passagens por outras escolas te ensinaram?

Paulo Roberto: Esse aprendizado foi fundamental. Você precisa buscar adequação a todos os ambientes, entender diferentes formas de trabalhar e ampliar seu conhecimento geral dentro do samba.

8️⃣ O carnaval de ontem e o de hoje

A Cidade de São Paulo: Como você compara o carnaval de antigamente com o atual?

Paulo Roberto: Antes, o desfile era mais leve, mais solto e mais espontâneo. Hoje, houve uma grande evolução do profissionalismo, mas isso trouxe mudanças profundas. Na minha opinião, acabamos militarizando o desfile, principalmente em busca da nota máxima nos quesitos Harmonia e Evolução, o que deixou os componentes mais presos a determinações.

A Cidade de São Paulo: E as escolas de bairro?

Paulo Roberto: As escolas de bairro exercem um papel fundamental de interação com as comunidades. Elas mantêm viva a essência do samba.

9️⃣ Formação, legado e futuro do samba

A Cidade de São Paulo: O samba precisa formar novas lideranças?

Paulo Roberto: Com certeza. Precisamos formar e ensinar, para dar continuidade ao nosso mundo. O samba está vivo.

Sou chamado de “mestre” por muitos sambistas e em vários terreiros, mas os verdadeiros mestres foram aqueles que me ensinaram.

A Cidade de São Paulo: Que conselho você deixa para quem está começando?

Paulo Roberto: Ter responsabilidade e respeito por todos os pavilhões. Isso é fundamental. E sim, o samba nunca deixará de ser uma ferramenta de transformação.

🔟 O samba na vida pessoal

A Cidade de São Paulo: O que o samba representa para você?

Paulo Roberto: Representa um passado e um presente de total dedicação e completa alegria.

A Cidade de São Paulo: Sua família sempre esteve ao seu lado?

Paulo Roberto: Sempre. Minha família sempre me acompanhou, seja como passista, destaque, ou simplesmente dando apoio.

A Cidade de São Paulo: Um momento inesquecível?

Paulo Roberto: Em 2013, quando obtivemos, junto com a Vai-Vai, a maior nota em Harmonia do carnaval.

A Cidade de São Paulo: Como você define sua trajetória?

Paulo Roberto: Orgulho me define. Em todas as escolas por onde passei, sou recebido com respeito.

🔚 Encerramento – Mensagem final

A Cidade de São Paulo: Que mensagem você deixa para as novas gerações?

Paulo Roberto:
Nunca desista. Procure aprender e siga sempre com respeito.

A Cidade de São Paulo: Uma palavra final?

Paulo Roberto:
Sucesso.
Acredito que ainda terei muitas alegrias. O melhor está por vir.

A Cidade de São Paulo

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