Em cartaz no Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, no Parque Ibirapuera, a exposição “Padê – sentinela à porta da memória” coloca Exu no centro de uma reflexão potente sobre memória, religiosidade, arte e culturas afro-diaspóricas. Inaugurada em 21 de março de 2026, a mostra tem curadoria de Rosa Couto e propõe um percurso que aproxima obras do acervo do museu de produções contemporâneas, ampliando o debate sobre ancestralidade, comunicação, transformação e movimento.
Inspirada nos padês, oferendas dedicadas a Exu, a exposição articula esculturas, objetos do sagrado, pinturas, fotografias e obras de arte africana para construir uma narrativa que trata o orixá não a partir de estigmas, mas de sua força simbólica e cultural. O resultado é uma leitura curatorial que destaca Exu como mediador entre mundos, guardião das encruzilhadas e princípio dinâmico que atravessa diferentes experiências africanas e afro-brasileiras.
A montagem está organizada em três eixos conceituais — África, Travessia e Diáspora. No primeiro, a exposição apresenta visões autóctones de Exu e suas relações com rituais, trocas e processos de comunicação. Em Travessia, o foco recai sobre deslocamentos, passagens, ruas, estradas, oceanos e encruzilhadas. Já em Diáspora, a mostra examina as transformações de Exu no contexto afro-atlântico, sua presença em religiões afro-brasileiras como candomblé e umbanda, além de suas reverberações na arte contemporânea.
Entre os nomes reunidos na exposição estão Emanoel Araujo, Sidney Amaral, Gustavo Nazareno, Carla Désirée, Felix Farfan, Ronaldo Rêgo, Mario Cravo Neto, Pierre Verger, Mestre Didi, Moisés Patrício, Georges Liautaud, Rafaela Kennedy, Rochelle Costi e Juliana Araujo, entre outros. A experiência expositiva também ganha dimensão sensorial com uma paisagem sonora criada por Sthe Araujo especialmente para a mostra.
Mais do que apresentar obras, “Padê – sentinela à porta da memória” se insere em um debate essencial sobre racismo religioso, memória e reconhecimento das matrizes africanas na formação cultural brasileira. Na abertura, o museu promoveu atividades que ampliaram esse diálogo, como o ateliê “Exu não é diabo! Combatendo o racismo religioso”, conduzido por Du Kiddy Artivista, e o encontro “Padê para abrir os caminhos”, com artistas participantes da mostra e acessibilidade em Libras.
A exposição também reforça a relevância do próprio Museu Afro Brasil Emanoel Araujo no circuito cultural paulistano. Inaugurado em 2004, a partir da coleção particular de Emanoel Araujo, o museu ocupa o Pavilhão Padre Manoel da Nóbrega, no Ibirapuera, e conserva um acervo com mais de 8 mil obras distribuídas em cerca de 12 mil m², dedicadas a temas como arte, história, religiosidade e memória africana e afro-brasileira.
Para o público interessado em exposições que unem arte contemporânea, patrimônio, espiritualidade, história e identidade, “Padê” surge como uma visita especialmente relevante em São Paulo. A mostra não apenas abre caminhos para uma leitura mais profunda sobre Exu, como também convida o visitante a refletir sobre os modos pelos quais a cultura afro-diaspórica continua a moldar o presente brasileiro.
Serviço da exposição “Padê – sentinela à porta da memória”
📍 Local: Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, Av. Pedro Álvares Cabral, s/n, Parque Ibirapuera, próximo ao Portão 10, Vila Mariana, São Paulo – SP.
📅 Período da mostra: de 21 de março a 26 de julho de 2026.
🕒 Horário de funcionamento do museu: terça-feira a domingo, das 10h às 17h, com permanência até 18h.
🎟️ Ingressos do museu: R$ 15,00 a inteira, R$ 7,50 a meia-entrada e gratuidade às quartas-feiras, além das políticas de isenção previstas oficialmente.
🎨 Curadoria: Rosa Couto.
🧾 Comitê curatorial: Vera Nunes, Renata Dias e Maurício Pestana.
☎️ Telefone: (11) 3320-8900.
📱 Instagram oficial: @museuafrobrasil
🌐 Site oficial: museuafrobrasil.org.br
♿ Acessibilidade: o museu dispõe de rampas, cadeiras de rodas, passagens amplas, maquetes táteis, recursos em Braille, além de atendimento com Libras e audiodescrição mediante agendamento.
🌍 Extra: os textos da exposição também estão disponíveis em inglês, conforme informação oficial do museu.




















